Tema do Bloco Ilê Aiyê para o carnaval 2026 - TURBANTES E COCARES. A HISTÓRIA DE RESISTÊNCIA DO POVO AFRO E INDÍGENA DE MARICÁ

Caro (a) Compositor (a): 

Estamos lhe fornecendo a pesquisa do nosso tema para o Carnaval de 2026 intitulado “Turbantes e Cocares. A história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”. 

No ano de 2026, o Ilê Aiyê completar 52 anos de existência e 51 anos do primeiro desfile que um bloco afro realizou no carnaval da Bahia. No próximo carnaval iremos celebrar a força do povo negro brasileiro e pela primeira vez, iremos celebrar os povos indígenas. Povos originários do Brasil que também sofreu e sofre as agruras do racismo brasileiro. Como é de conhecimento público, os blocos afro mudaram a face da música baiana e reafricanizou o nosso carnaval. A direção do Ilê Aiyê resolveu falar de uma parte do nosso país que não é muito conhecida nacionalmente, assim vamos contar e cantar a história do povo negro e do povo indígena que habitaram e habita a cidade de Maricá, no Rio de Janeiro. 

Vamos falar sobre a história daquela cidade através da ótica dos povos africanos que lá chegaram após serem sequestrados do continente mãe. Falar também sobre a história e as influências que os povos indígenas legaram àquele lugar após a invasão europeia. Por fim, vamos celebrar como o povo africano e os povos indígenas influenciaram na cultura e na vida da cidade de Maricá.

Desejamos a todos boas músicas e mais um bom Festival de Música Negra do Ilê Aiyê que ocorrerá nos meses de outubro, novembro e dezembro. 

Axé,

Antônio Carlos dos Santos Vovô 
Presidente



TURBANTES E COCARES A HISTÓRIA DE RESISTÊNCIA DO POVO AFRO E INDÍGENA DE MARICÁ 

1. A CIDADE DE MARICÁ 

Com uma área de 361,572 km², Maricá é um município do estado do Rio de Janeiro dividido em quatro distritos: Maricá (sede), Ponta Negra, Inoã e Itaipuaçu. Conhecida por sua beleza natural, a cidade tem um clima tropical litorâneo e uma costa de 46 km que inclui praias, lagoas, ilhas, rios, cachoeiras e serras. O ponto mais alto é o Pico do Mato Grosso, com 890 metros de altitude. A região conta com um sistema de lagoas interligadas, como as de Maricá, da Barra, de Guarapina, do Padre e de Jaconé, todas conectadas ao oceano por canais. Suas praias, como Jaconé, Ponta Negra e Itaipuaçu, são destinos populares. O relevo variado de Maricá é ideal para a prática de esportes radicais como voo livre, trekking e mountain bike. A Serra da Tiririca, que faz divisa com Niterói, é um parque estadual que protege um importante trecho da Mata Atlântica, um dos ecossistemas mais ricos e densamente florestados do mundo.



A origem do nome Maricá 

O nome “Maricá” tem origem indígena e possui vários significados. O mais conhecido é o espinheiro do mato, muito comum naquela região. Existem outras versões para o significado da palavra. Uma é a derivação do termo maraca, pois o barulho ocasionado pelas favas se assemelhava ao som desse instrumento. Outra hipótese é que o nome seja uma corruptela da palavra “américa” e também pode ser proveniente da planta maricaua, que era utilizada pelos tupinambás para a preparação de um chá.

MARICÁ E SUA HISTÓRIA

2. A HISTÓRIA DOS POVOS INDÍGENAS, EM MARICÁ

Os povos tupinambás 

Em 1º de janeiro de 1502, três navios liderados por Gonçalo Coelho entraram na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Ao chegarem, tiveram um encontro tranquilo com o povo Tupinambá. Na ocasião, a tripulação se reabasteceu com suprimentos, deixou algumas galinhas e exilados, e depois seguiu para o sul. 

Antes que o Brasil fosse dividido em Capitanias Hereditárias, os franceses foram os que mais visitaram o litoral do Rio de Janeiro. Eles se misturavam nas aldeias indígenas para fazer trocas, estabelecendo assim uma relação mais forte com os nativos do que os portugueses. 

A família linguística Tupi-Guarani, com mais de cem línguas, tinha pelo menos cinco delas faladas na Capitania do Rio de Janeiro. Os Tupinambás, que faziam parte desse grupo, viviam em áreas litorâneas, como enseadas e lagoas, que iam de Cabo Frio até Angra dos Reis. 

A língua Tupinambá foi a mais difundida na costa atlântica e foi aprendida por portugueses e franceses. Sua influência é tão grande que 46% dos nomes de peixes e 35% dos nomes de aves que se usa hoje no local, vêm dessa língua. Muitas dessas palavras se tornaram comuns no vocabulário, e até nomes de bairros de Maricá têm origem no tupi. Infelizmente, essa rica cultura foi praticamente aniquilada pelos colonizadores. Muitos indígenas preferiram lutar até a morte a se render e serem escravizados, como fez Arariboia, que "traiu" seu povo. No entanto, os Tupinambás tiveram um papel fundamental na formação da população de Maricá. 

Eles viviam da pesca, da caça, da agricultura e do artesanato. Suas aldeias eram geralmente construídas em terras férteis, perto de florestas, rios, lagoas e do mar. Eles tinham um vasto conhecimento do meio ambiente, sabendo prever chuvas e marés com base na observação das estrelas, da lua e do sol. Também conheciam bem os hábitos dos animais e as propriedades medicinais e alimentares das plantas. 

A história colonial de Maricá foi palco de duas grandes fugas indígenas. A primeira aconteceu em 1565, quando a Confederação dos Tamoios, que incluía os Tupinambás e era aliada dos franceses, fugiu da Baía de Guanabara para Cabo Frio, onde seus aliados franceses já estavam. A segunda fuga ocorreu em 1580, quando os Terminós, inimigos dos Tupinambás, tentaram escapar da epidemia de varíola. Eles partiram em direção ao Espírito Santo, mas a maioria não resistiu e morreu no caminho, chegando apenas alguns a São Pedro D'Aldeia. 

Nessas duas fugas, os grupos percorreram grandes trechos do território de Maricá. Eles entravam na cidade pela Serra da Tiririca, passavam por Itaipuaçu e pela restinga de São José, e seguiam por Guaratiba, Cordeirinho, Ponta Negra e Jaconé, até chegarem em Saquarema. 

Os Tupinambás, do tronco Tupi, eram guerreiros. Eles lutavam tanto contra outros grupos indígenas quanto contra os portugueses, e conseguiram dominar um trecho do litoral que ia de Angra dos Reis a Cabo Frio, incluindo Maricá. A cidade ficava exatamente no meio desse território, servindo de rota para as expedições dos Tupinambás e seus aliados franceses, que atacavam os grupos aliados dos portugueses, até Niterói ou Cabo Frio. Esse é, provavelmente, o motivo de existirem tantos bairros e cidades com nomes de origem indígena na região, como Araruama, Tribobó, Guaxindiba, Itaipu, Itaipuaçu, Guaratiba e Jaconé. 

Por volta de 1570, os portugueses gradualmente consolidaram seu poder, finalmente derrotando os franceses que estavam em Cabo Frio. Após expulsarem os estrangeiros e eliminarem os indígenas inimigos, os portugueses se estabeleceram no Rio de Janeiro, controlando todos os grupos nativos.

Foi nesse período que começaram a ser criados os aldeamentos indígenas, que reuniam tanto nativos aliados aos portugueses quanto os derrotados que apoiavam os franceses. Naquela época, Maricá estava em uma área cercada por três aldeamentos:
  • São Lourenço, que correspondia à região de Niterói.
  • São Barnabé, onde futuramente surgiria o município de Itaboraí.
  • São Pedro dos Índios, hoje conhecido como São Pedro D'Aldeia.
Em 1617, os portugueses, com a ajuda dos Goitacazes, expulsaram e exterminaram os Tupinambás. Para impedir que os indígenas sobreviventes se sustentassem sozinhos e, assim, controlá-los, os portugueses proibiram a pesca em todo o litoral, de Campos a Maricá. A escravidão dos nativos não se mostrou lucrativa, então essa estratégia de privação e tutela foi a alternativa encontrada para manter o controle.


As terras indígenas 

Atendendo às ordens do Marquês de Pombal, em 1754, os jesuítas foram expulsos do Brasil. Naquela época, foi decretado que todos os indígenas estariam livres para alugar suas terras ou trabalhar para quem quisessem. Contudo, como os nativos ainda não tinham autonomia, a assistência a eles foi transferida para os Frades Franciscanos e as aldeias passaram a ser administradas por líderes não religiosos. Os antigos aldeamentos foram transformados em freguesias. 

Com essa mudança, os vastos territórios indígenas, incluindo os de Maricá, acabaram sendo transferidos para a posse de proprietários particulares. 

O aldeamento de São Barnabé é um exemplo de como os nativos foram gradualmente expulsos e suas terras, roubadas. Como mencionado anteriormente, parte do atual município de Maricá pertencia a esse aldeamento. 

Em 1755, São Barnabé se tornou uma paróquia, mas a maior parte de seu território não foi administrada adequadamente para os índios. Isso ocorreu principalmente por causa dos protestos e processos judiciais dos colonos brancos, que usavam documentos falsos de leilão de terras para atrasar as demarcações e se apossar das propriedades. 

Na prática, esses colonos eram oportunistas que se aproveitavam da situação. Uma tática comum era manter os aldeamentos próximos às áreas de plantio, garantindo uma fonte de mão de obra semiescrava quando necessário. Muitas vezes, os indígenas eram removidos de suas terras nas serras e no interior para morar perto de povoados agrícolas. Os funcionários públicos responsáveis pela demarcação das áreas indígenas, de forma proposital, sempre usavam desculpas para não cumprir as ordens superiores e, assim, favoreciam a apropriação das terras pelos colonos.

3. A HISTÓRIA DO POVO NEGRO, EM MARICÁ

Características da formação dos quilombos maricaenses: 
O impacto do trabalho escravizado ultrapassava os limites das fazendas. Escravizados de Maricá, por exemplo, conseguiam manter contato com negros libertos no Rio de Janeiro. Um bom exemplo disso pode ser visto nas propriedades dos monges beneditinos. Eles possuíam fazendas em várias cidades, de Campos a Nova Iguaçu, incluindo o mosteiro em São José do Imbassaí, Maricá. Os escravizados desses monges tinham mais liberdade e eram tratados de forma menos cruel.

Relação com os Quilombos 

Os beneditinos frequentemente ignoravam a presença de quilombos próximos às suas terras e, em alguns casos, até faziam acordos comerciais com eles. Em Nova Iguaçu, por exemplo, a olaria deles era abastecida com lenha fornecida pelos quilombolas da região. 

Essa relação secreta beneficiava ambos os lados: os monges economizavam com o combustível para seus fornos, e os escravizados fugitivos conseguiam sobreviver. Além disso, essa parceria também tinha um lado político: os quilombolas, por gratidão ou acordo, geralmente não invadiam as fazendas de seus "parceiros comerciais". 

Outro ponto importante era a transferência interna de escravizados entre os mosteiros beneditinos, localizados em diferentes áreas de produção de cana-de-açúcar. Isso permitia que escravizados de várias regiões se encontrassem, criando um verdadeiro "canal subterrâneo" de troca de informações e contatos, essenciais para qualquer movimento de libertação. 

Em 1778, o distrito de Maricá já tinha uma produção agrícola e industrial notável. Havia 30 engenhos de açúcar em toda a região, que produziam anualmente 551 caixas de açúcar e 320 pipas de aguardente. Isso colocava Maricá em terceiro lugar na produção desses itens. 

Essa alta produção é um dos motivos pelos quais Maricá se tornou uma das principais áreas de formação de quilombos na Capitania do Rio de Janeiro, ao lado de Campos dos Goytacazes, Cabo Frio, Parati, Saquarema e Nova Iguaçu. Essas cidades, por serem grandes produtoras de cana e açúcar, concentravam uma enorme quantidade de mão de obra escrava, criando um ambiente favorável para a resistência e as revoltas contra a escravidão.

As comunidades quilombolas 

Ainda não há informações totalmente detalhadas sobre os quilombos que existiram na antiga Vila de Santa Maria de Maricá, desde o período colonial até o final do Império. É importante destacar a pesquisa da historiadora Maria da Penha de Andrade Silva, que, ao consultar várias fontes, contribuiu para uma reportagem de Catarine Monerat sobre escravidão e quilombos, publicada na Revista Maricá, já em 2009. No entanto, para este texto, foram utilizadas outras fontes para trazer o máximo de esclarecimento possível sobre os quilombos em Maricá. 

A maioria dos quilombos estava localizada em áreas de difícil acesso, próximas a fazendas de cana-de-açúcar, nas divisas de Maricá com os municípios de Saquarema, Itaboraí e São Gonçalo. Nas primeiras décadas do século XVIII, as autoridades imperiais estavam constantemente preocupadas com as denúncias sobre a existência de quilombos por toda a província fluminense, incluindo as regiões próximas a Maricá. Um desses quilombos foi encontrado em Bacaxá, que na época pertencia a Saquarema. 

Em 15 de agosto de 1730, o governador da província, Vahia Monteiro, determinado a acabar com um quilombo, ordenou uma grande expedição militar. A operação, que incluiu soldados de Maricá e Saquarema, foi liderada pelo Coronel Prado, da Guarda de Maricá.

O Quilombo de Bacaxá
O quilombo, conhecido como "Bacaxá", ficava em uma área de mata fechada, localizada entre a lagoa de Saquarema e os municípios de Tanguá, Cabo Frio, Itaboraí e Maricá. O grupo, formado por cerca de sessenta pessoas, já existia há várias décadas e contava com moradias e plantações para a própria subsistência.
O acesso ao local era extremamente difícil por causa das serras e dos manguezais. Além disso, os soldados enfrentavam condições de trabalho exaustivas, chegando a passar mais de três meses na mata e precisando caçar para se alimentar.

Apesar de todas as dificuldades, os soldados de Maricá, liderados pelo Coronel João Abreu Pereira, não tinham o melhor desempenho. Havia reclamações de que eles estavam mais interessados em saquear as fazendas vizinhas do que em capturar os quilombolas. A prova disso é que, após vários meses de buscas, apenas 18 fugitivos foram presos, provavelmente por terem oferecido pouca resistência, e não pela habilidade dos militares.

As áreas ao redor do Rio de Janeiro, com suas florestas e montanhas, eram o lugar perfeito para o refúgio de quilombolas. Por isso, regiões próximas a Maricá, como Itaboraí e Niterói e o próprio território de Maricá, ficaram conhecidas por abrigar comunidades de escravizados fugitivos.

É crucial analisar os quilombos não apenas como locais de fuga, mas como centros permanentes de resistência social, especialmente a partir de 1740. A historiadora Mary Karasch argumenta que os quilombos mais bem-sucedidos prosperavam através de sua própria subsistência e do comércio pacífico.

Em seu livro "A Vida dos Escravizados no Rio de Janeiro, 1808-1850", Karasch cita um exemplo que, segundo ela, possivelmente ocorreu em Maricá: o Quilombo de Joaquim Bunga. Esse quilombo, cujo nome foi dado em homenagem ao seu líder, existia há muito tempo, embora a localização exata seja desconhecida. Seus habitantes se sustentavam através da caça, pesca, agricultura e comércio.

Quando a polícia invadiu o quilombo, encontrou plantações de cana-de-açúcar, ferramentas de carpintaria, machados, enxadas, uma canoa e redes de pesca. A grande quantidade de lenha que eles possuíam era usada como moeda de troca. Eles a usavam para comprar alimentos e bebidas de comerciantes de madeira, uma prática comercial que lhes garantia proteção e segurança.

Maricá, entre a segunda metade do século XVI e o início do século XVIII, se destacou como uma das principais regiões de formação de comunidades quilombolas no Recôncavo da Guanabara.

Em 1814, ano em que Maricá foi elevada à categoria de Vila, várias expedições foram organizadas para acabar com os quilombos da região. É provável que pelo menos dois deles fossem remanescentes do antigo Quilombo de Bacaxá, já que ficavam em áreas de fronteira entre as atuais cidades de Maricá e Saquarema. Estamos falando do Quilombo de Betolomeu (uma variação de São Bartolomeu), na Serra do Jacu, em Jaconé, e do Quilombo de Lagoinha, na Serra do Mato Grosso.

O Quilombo de São Bartolomeu
O Quilombo de São Bartolomeu (ou Betolomeu, como era chamado pelos escravizados) teria sido formado por negros que fugiam das fazendas próximas, procurando refúgio na Serra do "Jacu". O nome da serra, que hoje dá nome ao bairro Jaconé, vem do pássaro jacu. Os escravizados se escondiam lá para evitar as surras de capatazes, pois temiam ter a pele arrancada.

Em sua luta por sobrevivência, eles pediam proteção a São Bartolomeu, santo da Igreja Católica que, segundo a tradição, foi martirizado ao ter sua pele arrancada. Nas religiões afro-brasileiras, ele é sincretizado com o orixá Oxumaré.

O Quilombo da Lagoinha
O segundo quilombo, conhecido como Quilombo da Lagoinha, ficava na área de mata fechada da Serra do Mato Grosso, perto do ponto mais alto de Maricá, o Pico da Lagoinha, na divisa com Saquarema. O pico tem quase 900 metros de altura, e foi ele quem deu nome ao quilombo.

Lá, os escravizados construíram um dique para represar as águas do rio e criaram uma piscina improvisada, onde se refrescavam nos dias de calor. Eles também usavam o local como esconderijo quando desconfiavam de alguma movimentação que pudesse ameaçar sua liberdade.

Quilombo do Morro do Chapéu
Em outra divisa de Maricá, desta vez com a cidade de Itaboraí, existiu outro quilombo, o "Quilombo do Morro do Chapéu". Ele ficava entre os bairros de Caxito Grande, Lagarto e Monte Vidil (este último em Itaboraí).

O nome desse quilombo também é conhecido como Monte Vidi, uma variação da palavra francesa "vider", que significa "esvaziar". Acredita-se que o nome se refere ao fato de que os produtos produzidos pelos cerca de doze fugitivos eram escoados pelos rios Coqueiro e Caboclo, que ficavam ali perto.

O nome "Morro do Chapéu" se deve ao formato arredondado da colina. Já o último quilombo da divisa, chamado Guayá, pode ter recebido esse nome por duas razões.

Origem do nome Guayá
A primeira teoria é que, como a área já era habitada por indígenas, o nome pode ter vindo de guayá, um chocalho que eles usavam.

A segunda teoria sugere que o nome se originou de um corsário francês, Renê Dugay Troain. Ele se refugiou no local enquanto fugia dos portugueses. Como os escravizados tinham dificuldade em pronunciar o sobrenome Dugay, eles o chamavam de Guayá.

O acesso ao local onde os escravizados se refugiaram continua muito difícil até hoje.

Pelo lado de Maricá: A partir da Estrada de Cassorotiba, é preciso caminhar por cerca de três horas pela floresta até chegar ao Alto do Guayá, na Serra de Itatindiba.

Pelo lado de Itaboraí: A jornada leva o mesmo tempo. Partindo da localidade de Timbopeba, no bairro Curuzu, na divisa com Cassorotiba, chega-se ao local pelo Morro do Carrapato.

Por São Gonçalo: O acesso é por uma estrada que começa no bairro de Santa Isabel.

O fato de o quilombo se localizar na divisa de três municípios era uma vantagem para os fugitivos. Quando perseguidos por milícias com poder restrito à sua própria área, eles podiam facilmente cruzar as fronteiras para escapar e depois voltar quando o perigo passasse.

O líder principal dos quilombolas era um homem chamado "Clementino Pé de Serra", muito respeitado por seus companheiros. Para sobreviver, eles cultivavam principalmente milho, banana e mandioca, produtos que ainda hoje são comuns na região, especialmente em Maricá.

Quilombo do Ingá e Quilombo Itaocaia
Os dois últimos quilombos não ficavam em divisas municipais. O primeiro, o Quilombo do Ingá, recebeu esse nome da palavra tupi "I-gá", que significa ingá, uma árvore comum em Maricá. Ele se localizava em uma serra perto dos bairros de Manoel Ribeiro e Bambuí.

A história do Ingá começou quando um escravizado chamado Justino "das Conchas", da Fazenda Engenho Novo, fugiu após ser brutalmente punido. É provável que, antes de se esconder nas matas do morro do Ingá, ele tenha buscado ajuda na Fazenda da Serrinha, entre Caju, Manoel Ribeiro e Bambuí, para ser cuidado pelo Dr. João de Souza Dias Menezes, que era considerado o primeiro médico e abolicionista de Maricá.

Quilombo de Itaocaia
Para concluir, vamos falar sobre o Quilombo de Itaocaia, que é provavelmente o mais famoso na história de Maricá. O naturalista Charles Darwin mencionou o quilombo em suas anotações de campo quando visitou a cidade em 1832.

Darwin relatou que o quilombo ficava perto de uma grande rocha, nas terras da Fazenda Itaocaia. Ele descreveu que os fugitivos formaram uma comunidade autossuficiente por um bom tempo, com plantações próprias para a subsistência.

No entanto, uma expedição da Guarda Imperial conseguiu capturar os quilombolas e levá-los de volta às suas fazendas de origem. Um evento trágico, também narrado por Darwin, foi o suicídio de uma quilombola que preferiu pular do alto da rocha a ser capturada, "preferindo a morte à vida miserável que levava". Após esses acontecimentos, o quilombo se extinguiu.

O temor dos maricaenses pelas lutas por liberdade

Em 1830, o pânico se espalhou em Maricá com notícias de jornais e cartas de Itaboraí. Os relatos indicavam que escravizados da região e negros já libertos no Rio de Janeiro, liderados por um homem chamado Andrade, dono de uma quitanda na Rua do Rosário, estavam planejando uma revolta. O boato gerou grande tensão entre os moradores das áreas urbanas de Maricá.

A Revolta dos Malês e o medo na província
Essa agitação social se intensificou após a Revolta dos Malês, que ocorreu em Salvador, Bahia, entre 25 e 27 de janeiro de 1835. Essa rebelião, liderada por africanos, principalmente de etnias hauçá e nagô, de religião islâmica, foi a maior demonstração de luta por liberdade da história do Brasil.

O levante baiano assustou não só a elite, mas também os brasileiros comuns, especialmente os que moravam no interior. O medo aumentou quando a revolta em Salvador inspirou outros atos de insurreição em cidades da Província Fluminense, como Niterói e Itaboraí, que ficavam perto de Maricá.

A escravidão diferenciada na fazenda dos Beneditinos:
As fazendas dos monges beneditinos tinham um tratamento diferente para os escravizados, em comparação com outras propriedades rurais. Era comum que os escravizados dessas fazendas trabalhassem por tarefa e tivessem folga nos feriados, sábados e domingos. Nesses dias, eles podiam cultivar suas próprias roças para o consumo da família, e o excedente era trocado ou vendido. Essas transações aconteciam entre escravizados beneditinos, de fazendas vizinhas, de quilombos e até com a própria fazenda que comprava a produção dos escravizados.

Isso é comprovado pelo trabalho de Flávio Gomes dos Santos. Em 1839, um escravizado chamado Severino e sua esposa, que trabalhavam na fazenda de Maricá, foram transferidos para a fazenda de Iguaçu (hoje Nova Iguaçu). Eles foram indenizados pela roça de mandioca que haviam plantado. Dois anos depois, outro escravizado, Simião, vendeu dois sacos de milho para os religiosos de Maricá antes de se mudar para a mesma fazenda na Baixada Fluminense.

Família e vida dos escravizados beneditinos

Nas fazendas beneditinas, as escravas grávidas recebiam alimentação especial e alguns locais tinham até enfermarias para tratar os doentes. Em Campos, as famílias de escravizados moravam em senzalas, onde pais, mães, avós, filhos e netos viviam próximos uns dos outros.

Viajantes europeus como Henry Koster também observaram essas peculiaridades. Koster notou que os casamentos eram incentivados, e os jovens, a partir dos 14 anos (para as moças) e 17 (para os rapazes), podiam se casar. Após o casamento, eles pediam para começar a trabalhar cedo para poderem ter suas próprias roças. Koster também relatou que, na fazenda de Jaguaribe, em Pernambuco, as crianças pareciam saudáveis e só começavam a trabalhar efetivamente entre os dez e doze anos, em tarefas que elas próprias escolhiam.

Por outro lado, o viajante John Luccok visitou a fazenda beneditina em Maricá e teve uma visão diferente. Ele descreveu que os escravizados viviam em cabanas de barro, e as crianças, que rolavam no chão, pareciam magras, sujas e doentes.

Alforria por laços familiares
Uma característica interessante na luta pela liberdade era a criação de redes familiares para comprar a alforria. Um escravizado que já era livre financiava a liberdade de um parente ainda escravizado, e este, ao ser liberto, se sentia na obrigação de ajudar outro familiar.

Isso era comum entre os escravizados beneditinos, inclusive em Maricá. Um exemplo é a história de Benvinda, uma mulher parda do Mosteiro de São Bento, que trabalhava na fazenda de Maricá. Sua filha, Mafalda, estava na fazenda de Campos. Em junho de 1856, Benvinda conseguiu juntar 800 réis, o suficiente para comprar sua própria alforria. Três anos depois, ela pagou 600 réis para libertar a filha, dando continuidade a essa rede de solidariedade.

O destino dos escravizados do navio negreiro aprisionado em Maricá
Após a aprovação da Lei Euzébio de Queiroz, em 1831, que proibia o tráfico de escravizados, os traficantes, para fugir da fiscalização, passaram a usar praias desertas para desembarcar os escravizados e levá-los para as grandes plantações de café. Cidades como Maricá, Cabo Frio e Angra dos Reis se tornaram rotas para essa prática ilegal.

A escravidão e o tráfico de negros em larga escala começaram na região muito antes. Depois que Portugal proibiu a pesca no litoral de Campos a Maricá, por volta de 1617, a área foi dedicada à agricultura e à pecuária. Como resultado, os colonizadores de Maricá e portugueses que chegavam ao Brasil usaram o tráfico de escravizados para obter mão de obra para suas fazendas.

Mesmo com a proibição do tráfico de escravizados no Brasil em 1850, o desembarque clandestino continuou. Traficantes como José Gonçalves e os irmãos Souza Breves, que também atuavam na Região dos Lagos, se tornaram figuras importantes nesse comércio. No entanto, já existia um grande número de escravizados em Maricá antes disso, o que é comprovado pela existência de quilombos na região.

Desde 1808, a Inglaterra vinha atuando para acabar com o tráfico de escravizados para as nações americanas. Eles assinaram tratados e, muitas vezes, capturavam navios de escravizados. Essa estratégia não só enfraqueceu a escravidão no Brasil, como também garantia mão de obra para as colônias britânicas no Caribe, onde a escravidão já havia sido abolida em 1834. Os escravizados resgatados eram transformados em trabalhadores contratados.

O caso do navio "Flor de Luanda"
Um exemplo dessa ação aconteceu em abril de 1838, quando o navio negreiro "Flor de Luanda" foi capturado em águas de Maricá pelo navio britânico H.M.S. Hover. O navio de escravizados levava 289 pessoas. Embora a localização exata da captura seja discutida (alguns dizem que foi perto das Ilhas Maricá em Itaipuaçu, outros perto de um porto em Ponta Negra), o navio foi levado para o porto do Rio de Janeiro.

O caso gerou grande hostilidade da população. As autoridades brasileiras tiveram que enviar uma guarda armada para evitar que os prisioneiros fossem resgatados. Apesar da gravidade do caso, os traficantes do "Flor de Luanda" não foram condenados pela Comissão Mista (formada por Brasil e Inglaterra), talvez por serem portugueses.

Enquanto as negociações entre as autoridades brasileiras, portuguesas e britânicas se arrastavam, as condições a bordo do navio pioravam. Em 1838, o representante britânico W.G. Ovseley decidiu colocar os africanos como aprendizes na Santa Casa de Misericórdia e em casas de ingleses no Rio de Janeiro. O acordo determinava que os empregadores deviam treiná-los, alimentá-los e vesti-los por sete anos, mas os africanos ainda podiam ser devolvidos.

Em 1846, os escravizados sobreviventes do "Flor de Luanda" foram finalmente libertados. Dos 85 que estavam na Santa Casa, apenas 71 sobreviveram. Dos que estavam com particulares, somente 34 restaram. Todos receberam uma certidão de emancipação do Cônsul Britânico no Rio de Janeiro. No evento, as autoridades inglesas ofereceram aos negros a opção de se tornarem trabalhadores livres nas colônias britânicas no Caribe ou de permanecerem no Brasil, mas sem a proteção do governo britânico.

Apenas 20 dos que estavam na Santa Casa e 9 dos que estavam com particulares aceitaram a oferta de transporte gratuito para o Caribe. Os 77 africanos que ficaram no Brasil receberam 12 mil réis por cada ano de serviço prestado. Esse gesto demonstrou a diferença no tratamento dado aos africanos libertos entre o Império Britânico e o Império Brasileiro.

Escravizados comerciantes e mascates:
Em certos municípios, como Maricá, observava-se uma situação incomum no contexto da escravidão. Alguns indivíduos escravizados conseguiam atuar como comerciantes de forma independente, sem a supervisão direta de seus senhores. De maneira discreta, estabeleciam pequenos pontos de venda onde realizavam transações comerciais. Essa prática, ao que tudo indica, era facilitada por relações com comunidades quilombolas, que trocavam o excedente de suas colheitas por produtos essenciais como sal e açúcar. 

A partir da segunda década do século XIX, esse tipo de autonomia entre pessoas escravizadas passou a se tornar mais recorrente, especialmente nas áreas urbanas, contribuindo para a formação das dinâmicas sociais do nascente Estado brasileiro. Era comum encontrar cativos vivendo em locais distintos dos seus proprietários. O governo autorizava que os senhores alugassem seus escravizados para outras pessoas, tanto no campo quanto na cidade.

Além disso, mediante um simples registro policial, era possível formalizar um termo de fiança que permitia ao escravizado se deslocar para outras localidades com o objetivo de exercer atividades diferentes dos habituais. Um exemplo disso é o caso de Manoel Joaquim, escravizado que, com a autorização e fiança de seu senhor — residente na Rua do Sacramento, no Rio de Janeiro — recebeu permissão em 1º de fevereiro de 1825 para trabalhar como mascate na Vila de Santa Maria de Maricá.

Antes não viver do que ser escravizado
A busca pela liberdade da escravidão podia se manifestar de diferentes formas, seja na luta física ou espiritual. Em Maricá, um ato extremo de resistência foi registrado, pouco antes da abolição.

Em 6 de janeiro de 1885, o jornal "O Brasil" noticiou um trágico evento. Um escravizado, que estava detido em Niterói, foi levado pelo Sr. Valério Gomes Mattos para sua casa em Cassorotiba, Maricá. Ao se aproximar da residência, o homem se jogou em um açude, e não foi possível salvá-lo, morrendo afogado.

Outra história conta que Charles Darwin, durante sua passagem pela fazenda Itaocaia, registrou o suicídio de uma mulher idosa que preferiu a morte à perda de sua liberdade, enquanto autoridades portuguesas tentavam recapturar quilombolas fugitivos da fazenda onde ele estava hospedado.

Duas mulheres maricaenses no Zungu:

O Rio de Janeiro do século XIX, sede do Império, era uma cidade de paisagem agitada, cheia de negros que circulavam pelas ruas e becos, exercendo várias atividades. Entre eles, destacavam-se as "Maria Angu", mulheres que vendiam comida de rua, especialmente o que hoje conhecemos como "angu à baiana". Geralmente, essas mulheres eram escravizadas de ganho (que trabalhavam para o seu dono e repassavam parte do lucro) ou alforriadas.

O angu não era consumido pela aristocracia, que tinha hábitos alimentares mais elitizados. O público consumidor era mais diversos: escravizados de ganho, escravizados de aluguel, fugitivos, boêmios, malandros e outros marginalizados da sociedade. Com o tempo, as "anguseiras" que prosperavam se estabeleciam em quitandas, dando origem aos "zungus".

Os zungus eram moradias coletivas, divididas em pequenos quartos que abrigavam uma variedade de pessoas: fugitivos, desocupados, boêmios, capoeiristas, prostitutas e outros marginalizados. As autoridades da época reprimiam esses locais por considerá-los "clandestinos" e por atividades ilegais como prostituição e cultos afro-brasileiros. No entanto, o que mais preocupava as autoridades eram as redes de comunicação que existiam entre os quilombos e os escravizados urbanos.

Dois exemplos dessa rede de resistência são Carminda e sua irmã Amélia Maria da Glória, ambas nascidas em Maricá. A Gazeta de Notícias, em 15 de novembro de 1883, relatou a prisão de sete mulheres de um zungu, incluindo Carminda, que era engomadeira. Apesar de ser uma trabalhadora, ela foi acusada de "vagabunda e desordeira". Amélia, com apenas 17 anos, provavelmente a acompanhava.

A trajetória das irmãs sugere a existência de uma rede subterrânea de movimentos organizados que conectava os quilombos e os zungus, passando por Maricá, Niterói e a capital. Os quilombolas de Maricá, sem dúvida, eram agentes importantes nessa rede. As duas irmãs, possivelmente ex-escravizadas, garantiram sua "liberdade provisória" por meio do trabalho no zungu e, assim, conseguiram sair de Maricá e sobreviver na capital do Império.

Resistência e greve de escravizados
Este texto trata de como os escravizados nascidos ou que viveram em Maricá resistiam à escravidão. Uma das táticas mais comuns dos proprietários de escravizados para intimidá-los e impedi-los de fugir ou se rebelar era ameaçá-los de vendê-los para as regiões de Friburgo e Cantagalo, onde o tratamento era conhecido por ser brutal.

O historiador Eduardo Rodrigues investigou o caso de João Marambaia, um escravizado da Fazenda Inoã. O dono, Vicente Adrião Ferraz, era um fazendeiro cruel que ameaçava queimar os escravizados desobedientes em fornos. Em 1875, ele ordenou que o feitor fizesse isso com Marambaia. Quando o escravizado estava amarrado, pronto para ser jogado no forno, várias pessoas o salvaram, convencendo o fazendeiro de que seria mais lucrativo vendê-lo para Cantagalo, um lugar onde a crueldade contra escravizados era extrema. Por volta de 1888, já com a escravidão abolida, Marambaia retornou a Inoã, onde se tornou um grande contestador, dando muito trabalho à polícia de Maricá.

O negro Silvestre Crioulo

Em 1850, na Fazenda Ponte das Tábuas, em Nova Friburgo, escravizados de diferentes partes do Brasil, incluindo o maricaense Silvestre Crioulo, entraram em greve por cerca de três meses. Eles se recusaram a voltar ao trabalho, a menos que o administrador da fazenda, João Antônio da Silva Ferreira, fosse demitido. Silvestre, que já trabalhava na fazenda por seis anos, fugiu com outros escravizados por causa dos maus-tratos e ameaças do administrador. Durante a fuga, eles se esconderam na mata da propriedade e se alimentaram de milho e abóbora que pegavam da roça.

Em 28 de maio de 1850, Silvestre e seus companheiros foram condenados à prisão perpétua com trabalhos forçados. No entanto, o proprietário da fazenda, o Comendador Bernardo Boa Aventura Maciel, recorreu da sentença, e os réus foram soltos. A pesquisa não encontrou registros de que o processo tenha sido revisto.
A história de Silvestre Crioulo mostra que os escravizados de Maricá não apenas resistiam, mas também usavam estratégias de negociação, exigindo respeito e melhores condições. Ao se recusar a trabalhar e se refugiar na mata, ele e seus companheiros desafiaram a visão de que os escravizados não tinham para onde ir, mostrando que a resistência era uma forma de luta por liberdade e dignidade.

O debate abolicionista
A partir de 1881, a sete anos da Lei Áurea, o debate sobre a abolição da escravidão se intensificou no Brasil. A estrutura socioeconômica de Maricá, baseada no trabalho escravizado, não ficou de fora. Jornais da época mostravam a tensão política: os jornais do Partido Conservador criticavam o Partido Liberal por propor a reforma da escravidão, classificando a iniciativa como "cínica e irresponsável".

Por outro lado, em 29 de janeiro de 1883, o jornal "A Folha" publicou uma notícia favorável à causa abolicionista. Uma comissão do "Fundo de Emancipação" em Maricá finalizou a classificação de escravizados para a libertação. Dias depois, outro jornal informou que o coletor de Maricá, Joaquim Paulo Ribeiro De Almeida, foi autorizado a pagar indenizações a 13 proprietários de escravizados libertos. O coletor conseguiu que eles aceitassem um valor abaixo do esperado, totalizando nove mil e novecentos e cinquenta réis.

Essas ações do governo talvez tenham encorajado alguns moradores de Maricá a libertar seus escravizados por conta própria. Um exemplo é o Dr. Francisco de Azevedo, que em 2 de dezembro de 1883 concedeu a alforria de sua escravizada Josefa.

4. A CONTEMPORANEIDADE DE MARICÁ

Maricá é lar de várias comunidades tradicionais, incluindo duas aldeias indígenas Guarani Mbya que se instalaram na região nos últimos dez anos. A Aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka'Aguy Hovy Porã), em São José do Imbassaí, tem cerca de 200 indígenas, enquanto a Aldeia Céu Azul (Tekoa Ará Hovy), em Itaipuaçu, tem aproximadamente 45 habitantes.

A cidade também abriga diversas associações de artesãos e agricultores familiares. Outro destaque é a colônia de pescadores de Zacarias, que preserva suas tradições por mais de dois séculos. Os pescadores de Zacarias mantêm o ofício de confeccionar redes e canoas, e possuem um vasto conhecimento sobre a fauna e a flora locais.

Artesanato Guarani: produzido pelos indígenas das Aldeias Tekoa Ka'Aguy Hovy Porã e Tekoa Ara Hovy, utiliza materiais naturais como sementes, frutos, penas, madeiras e fibras vegetais. Inclui cestos coloridos, brincos, colares, braceletes, apitos, brinquedos, pau-de-chuva, esculturas de animais e instrumentos musicais.
A herança Tupinambá pode ser percebida no presente, por meio dos nomes das cidades e de alguns dos seus bairros, originários de características marcantes da fauna e da flora. São exemplos: Araçatiba – fartura de araçás, Ubatiba – fartura de cana do rio ou cana flexa, Itaipuaçu – pedra grande que arrebenta a água, Inoã – encurtar, afunilar.

A bandeira de Maricá
A bandeira da cidade foi criada no ano de 1964. É um símbolo visual que representa a cidade e possui as cores vermelha, branca e azul. Cada uma dessas cores detém um significado. O vermelho significa o orgulho e a dignidade do povo, o azul exprime a confiança do povo no progresso da cidade e o branco simboliza a paz. A bandeira ainda é representada por quatro estrelas que representam os quatro distritos da cidade.

O carnaval em Maricá

O carnaval de Maricá é uma celebração tradicional marcada pela presença de blocos e escolas de samba. A folia na cidade tem raízes antigas: na década de 1920, blocos como o "Jacaré" e o "Tira-teima" já animavam a população com marchinhas.

Nos anos 1970, a rivalidade entre as classes sociais e os grupos políticos locais se manifestava nos desfiles dos blocos "Esferinhas" e "Antiga Amizade". Mais recentemente, a história carnavalesca de Maricá foi moldada por agremiações como o Bloco da Gabriela, Gaviões de Itaipuaçu, e o Tromba Nervosa, além do já extinto Bloco do Carvão.

Os desfiles de escolas de samba, com a participação de agremiações como o G.R.E.S. Tradição de Maricá, G.R.E.S. Flor do Imbassaí e G.R.E.S. Unidos do Saco das Flores, aconteciam nas ruas centrais da cidade entre 1975 e 2008.
Em 2015, foi criada a Grêmio Recreativo e Escola de Samba União de Maricá. A iniciativa, do então prefeito Washington Quaquá, com o falecido presidente Mauro Alemão, tinha o objetivo de unir o carnaval da cidade em uma única escola que a representasse nos desfiles do Rio de Janeiro. As cores da escola são vermelho, ouro e branco.

Belezas Naturais e Geográficas
Maricá é considerada um paraíso natural devido ao seu clima tropical litorâneo e 46 km de litoral, que incluem praias, lagunas, ilhas, rios, cachoeiras, serras, áreas florestadas e restingas.

A paisagem é marcada por maciços costeiros, com serras como Calaboca, Lagarto, Silvado, Espraiado e Tiririca. O ponto mais alto do município é o Pico do Mato Grosso, com 890 metros. A cidade possui um grande sistema lagunar, compreendendo as lagunas de Maricá (Lago Grande), da Barra, de Guarapina (Ponta Negra), do Padre e de Jaconé, todas conectadas ao mar por canais.

Suas praias oceânicas, como Jaconé, Ponta Negra, Barra de Maricá, do Francês e Itaipuaçu, são muito procuradas. O relevo diversificado da região é ideal para esportes radicais como voo livre, trekking e mountain bike. A Serra da Tiririca, que faz divisa com Niterói, é um parque estadual que preserva um importante trecho da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos do planeta, caracterizado por florestas densas e fechadas.

A paisagem de Maricá é marcada por formações geológicas impressionantes e ecossistemas variados. A Pedra do Elefante, por exemplo, é o ponto mais alto do Parque Estadual da Serra da Tiririca, com 412 metros. Vista da Praia do Recanto, em Itaipuaçu, sua rocha se assemelha à cabeça de um elefante.

O Pico da Lagoinha, com 879 metros, é o segundo ponto mais alto da cidade. Localizado na Serra do Espraiado, na divisa com Tanguá e Rio Bonito, ele faz parte do Refúgio da Vida Silvestre. Em sua trilha, a 600 metros de altitude, há uma cachoeira de águas cristalinas.

Os tabuleiros e falésias de Maricá são resultado da erosão. Os tabuleiros, como os do Morro do Mololô, são platôs de argila com encostas íngremes. Já as falésias, como as encontradas na Ilha Cardosa e na Ponta do Fundão, mostram que o mar cobria essas áreas no passado, formando a antiga Baía de Maricá.

As Ilhas de Maricá são um arquipélago de duas ilhas e três ilhotas. Elas são, na verdade, os picos de uma cadeia de montanhas submersas que se formaram com as variações do nível do mar nos últimos 10 mil anos.

Maricá possui uma rica biodiversidade, com ecossistemas que incluem rios, córregos, ilhas oceânicas e, principalmente, a Mata Atlântica, que cobre as áreas de serra e restinga.

O sistema lagunar de Maricá-Guarapina, conhecido como Lagoa de Maricá, na verdade é um conjunto de quatro lagoas interligadas que somam cerca de 34 km². A formação desse sistema ocorreu há milhares de anos, quando a oscilação do nível do mar criou restingas que represaram a antiga Baía de Maricá. A Lagoa de Maricá (Lago Grande) serve como um berçário natural para peixes e camarões, com vegetação que oferece abrigo e alimento para a vida aquática.

A Colônia de Pescadores de Zacarias é uma comunidade tradicional com mais de 200 anos de história, localizada às margens da Lagoa de Maricá. Com cerca de 100 pescadores, a comunidade mantém vivas práticas como a confecção de redes e canoas, e possui um vasto conhecimento sobre a natureza local. A tradição e o conhecimento dessas comunidades são essenciais para a conservação ambiental, e seus direitos de pesca são protegidos por lei.

A festa de Nossa Senhora do Amparo
A Festa de Nossa Senhora do Amparo, celebrada tradicionalmente em 15 de agosto, é uma tradição de longa data na cidade. No século 19, a celebração atraía pessoas de municípios vizinhos, que chegavam de trem pela Estrada de Ferro Maricá.

As festividades incluíam uma novena, uma missa solene, leilões, apresentações de bandas e shows no coreto que ficava no largo da Igreja Matriz. A cidade se enfeitava para receber os fiéis e peregrinos, que eram convidados por meio dos jornais da época.

A construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo começou em 8 de dezembro de 1788, com o lançamento da pedra fundamental pelo padre Vicente Ferreira Noronha. A primeira missa na igreja foi realizada em 15 de agosto de 1802, no Dia da Padroeira, marcando a inauguração do local.


5. PERSONALIDADES DE MARICÁ

Mestre Pindorama 
Para Mestre Pindorama, um artista de 68 anos que vive em Inoã, Maricá, a vida só faz sentido quando é compartilhada com os outros. Ele nasceu em Mesquita, na Baixada Fluminense, e sua chegada ao mundo foi um evento especial. Um bebê de 6 quilos, ele foi assistido pela parteira Dona Maria Lontra, enquanto a vizinhança inteira se unia em oração.

Na juventude, Pindorama (que na época se chamava Fernandinho) buscou conhecimento lendo jornais e obras de pensadores como Karl Marx. Nos anos 1970, ele se tornou um ativista dedicado, lutando pela democracia e pela justiça social. Por sua inteligência e sua visão sobre questões de raça e classe, ele era admirado, defendendo sempre a igualdade de oportunidades e a luta contra a opressão.

A arte e a militância sempre caminharam juntas em sua vida. A música, sua paixão de infância, o transformou em Mestre Pindorama, um nome que reflete sua singularidade. A inspiração veio de seu pai, Seu Fernando, um grande incentivador da cultura. Hoje, Mestre Pindorama utiliza a pintura e a música para expressar sua visão de mundo, promovendo o bem-estar coletivo e a igualdade. Suas composições frequentemente criticam a exploração e o preconceito social.

Pindorama é um artista completo, atuando em diversas áreas como cinema, música, escrita, pintura, dança e teatro. Para ele, a arte é uma ferramenta de libertação. Morador de Maricá há 37 anos, Mestre Pindorama é considerado uma memória viva das comunidades por onde passou. Ele acredita que a arte só existe por causa das pessoas e resume sua trajetória como o "milagre da vida".

Zuleica (Rezadeira, 67 anos) 

Zuleica, moradora do Caxito, Maricá, tem o dom da mediunidade desde criança. Graças a essa habilidade, ela recebe mensagens de "amigos invisíveis" para ajudar e curar pessoas, baseando-se na crença de que a vida continua após a morte. Ela destaca a importância de respeitar e valorizar todas as religiões.

A vida de Zuleica começou na roça, sob os cuidados de sua avó, Dona Carmelita, uma respeitada parteira e curandeira. Zuleica a acompanhava em partos e aprendeu com ela a arte de trazer vidas ao mundo e de curar com ervas. Em um episódio marcante, aos 8 meses, ela foi dada como morta, mas um "milagre" a trouxe de volta à vida.

Por volta dos 10 ou 11 anos, Zuleica teve uma visão que a amedrontou. Foi a partir daí que os espíritos começaram a se manifestar para ela. Desde então, ela passou a rezar por sua avó e irmãs, iniciando sua jornada como curandeira, usando folhas de vassourinha.

Zuleica, que considerava sua avó como uma mãe, aprendeu com ela várias orações e tratamentos. Ela domina a cura da "espinhela caída" com uma bebida de ingredientes naturais e o tratamento de erisipela com cinza de aroeira e azeite. Também sabe curar o "cobreiro" com sumo de erva de bicho e enxofre, alertando que esse último é um processo rigoroso que exige jejum. Ela avisa, ainda, que o uso de ervas na cabeça é arriscado, pois a considera uma parte sagrada do corpo.
Aos 15 anos, Zuleica se casou e se mudou para Maricá. Ela acredita que a fé é essencial para a cura e pode transformar até um simples copo de água em um remédio. Embora seus filhos e irmãos não tenham seguido seus passos, eles respeitam suas escolhas.

Zuleica sabe que seu trabalho é cansativo e pouco valorizado atualmente, mas ela continua sendo um ponto de apoio para quem precisa de ajuda, especialmente em comunidades que não têm fácil acesso à medicina. Para ela, a união é fundamental, pois "se espalhar, se perde". Ela segue em sua missão de curar e rezar, preservando a sabedoria que herdou de sua avó.

Dico (Mestre de Capoeira e Artesão, 69 anos) 

Para Mestre Dico, morador do Flamengo, o verdadeiro progresso vem do respeito e do aprendizado com as gerações passadas. Ele vê a capoeira como uma arte de resistência que surgiu durante o período de escravidão no Brasil, quando muitos africanos foram trazidos à força. Dico se inspira em figuras como Zumbi dos Palmares, um líder que se tornou símbolo da luta contra a escravização.

Mestre Dico explica que os africanos escravizados usavam a capoeira, o maculelê e o samba de roda não só para se defender, mas também para manter sua cultura viva. Para ele, a ancestralidade é fundamental na capoeira. Ele conta que seus avós vieram da Guiné, e foi honrando a memória e os ensinamentos deles que ele se tornou mestre.

Mestre Dico começou a praticar capoeira na Associação de Capoeira Josias da Silva, em Nova Iguaçu. Em 1984, ele se mudou para Maricá e rapidamente conquistou respeito por seu trabalho, que valoriza o diálogo e o respeito. Em 2005, ele recebeu o título de mestre.

Em 1986, Mestre Dico começou a dar aulas no quintal de casa, um espaço onde também se dançava jongo e maculelê. Seus alunos, descalços, aprendiam não só a técnica, destreza e equilíbrio da capoeira, mas também a tocar instrumentos como berimbau, atabaque e pandeiro. Foi durante uma aula noturna, ao ver a lua nascendo, que ele batizou seu grupo de "Filhos da Lua". Além de mestre de capoeira, Dico é artesão e desenhista. Ele mesmo criou o logotipo e as letras do grupo. Com seu trabalho, Mestre Dico deixou uma marca cultural importante em Maricá.

Niltinho (Agricultor, 72 anos)

Aos 72 anos, o agricultor Niltinho, do Espraiado, é um exemplo de honestidade e dedicação à agricultura. Sua vida no campo começou cedo em São José de Ubá, onde, com apenas 3 anos, ele já participava das atividades rurais, uma tradição familiar comum na época.

Com 5 anos, Niltinho já trabalhava em fazendas para ajudar a família, que não tinha como pagar seus estudos. Ele se lembra de longas e difíceis jornadas, muitas vezes resultando em ferimentos que só podiam ser tratados no fim do dia.

Aos 9, a perda do pai o obrigou a cuidar da mãe e das irmãs. Dois anos depois, ele foi trabalhar na fazenda de Abílio Carneiro, onde aprendeu lições importantes sobre finanças e conduta. A mãe de Niltinho também foi uma grande influência, ensinando-o a evitar vícios e a ser discreto. Ele permaneceu trabalhando para o filho de Abílio até os 45 anos.

A mudança para Maricá marcou um novo começo. Niltinho trabalhou como caseiro em Itaipuaçu e, aos 47 anos, teve sua primeira oportunidade de estudar, com a ajuda de seu irmão e de seus empregadores. Ele sente um carinho especial pela professora Rita, a quem credita o pouco que aprendeu. Quando ela se transferiu, ele desistiu da escola, lamentando não poder ter a mesma dedicação aos estudos que tinha ao trabalho.

Em Itaocaia Valley, Niltinho montou uma horta e fornecia produtos como tomates e hortaliças para pizzarias e mercados. Ele priorizava o cultivo sem agrotóxicos após uma experiência negativa com venenos agrícolas, que causaram doenças e mortes na comunidade. Essa experiência reforçou sua convicção de que "a plantação, quanto mais você cuida, mais ela fica bonita e mais ela produz".

Hoje, Niltinho mora em uma fazenda cedida pela prefeitura, um espaço que ele lutou para que pudesse ser usado por agricultores. Ele cultiva café, banana, aipim e até arroz, e demonstra um profundo conhecimento da natureza. Ele usa técnicas como cobrir o solo com folhas e galhos para manter a umidade. Ele teve um papel fundamental no resgate do aipim "Manuel Ribeiro", uma variedade de mandioca que já foi abundante na região.

Para Niltinho, a vida no campo é uma forma de viver com tranquilidade e conexão. Ele afirma que a vida e o trabalho foram seus maiores professores. Sua história é um tributo a todos os agricultores que, com seu trabalho e dedicação, colocam alimentos frescos e saudáveis em nossas mesas.

Washington Quaquá (Político)

Mais conhecido como Washington Quaquá, ele é um político e sociólogo brasileiro filiado ao Partido dos Trabalhadores. Se tornou uma figura central na política de Maricá e do estado do Rio de Janeiro.

Nascido em São Gonçalo, Quaquá se mudou para Maricá ainda na infância. Ele iniciou sua carreira política no PT, disputando a prefeitura de Maricá pela primeira vez em 2004, mas foi em 2008 que se elegeu para o cargo. Ele foi reeleito em 2012, completando dois mandatos consecutivos.

Após sua gestão, Quaquá atuou como vice-presidente nacional do PT e foi eleito Deputado Federal em 2022. No entanto, em 2024, ele se candidatou novamente à prefeitura de Maricá e venceu com mais de 73% dos votos, assumindo o cargo pela terceira vez em 1º de janeiro de 2025.

Quaquá é reconhecido por implementar políticas sociais que transformaram a cidade de Maricá, principalmente a criação da Moeda Social Mumbuca e o programa de ônibus gratuitos ("Vermelhinhos"). Ele defende que essas iniciativas ajudam a economia local e melhoram a qualidade de vida da população.

Ele é visto por muitos de seus aliados como alguém que fala a "língua do povo" e defende um modelo de gestão que se tornou uma referência de políticas públicas sociais.

6.  PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL:

O Farol de Ponta Negra, que começou a funcionar em 10 de maio de 1909, é um ponto crucial para a navegação segura na região. Além de sua importância para as embarcações, o local proporciona uma vista panorâmica deslumbrante, que se estende por todo o litoral de Maricá, de Ponta Negra a Itaipuaçu.

A Casa de Câmara e Cadeia de Maricá, hoje a Casa de Cultura e Museu Histórico, teve sua construção iniciada apenas em 1836, 22 anos após o Alvará de 1814 que criou a Vila de Santa Maria de Maricá. O projeto, finalizado em 1841, foi do engenheiro militar Júlio Frederico Koeler.

Um detalhe interessante da construção são os 26 degraus que separam a antiga cadeia (no andar de baixo) da antiga Câmara Municipal (no andar de cima), uma referência à data de fundação da vila. O prédio agora funciona como um museu, com um acervo que abrange a história de Maricá desde a pré-história até os dias de hoje.

A Fazenda Itaocaia, em Itaipuaçu, é uma das propriedades mais antigas de Maricá, com quase 400 anos. Em 1627, foi doada ao Mosteiro de São Bento por Diogo Martins Mourão e Francisca Serra, tornando-se um grande latifúndio beneditino por três séculos.

Na década de 1980, as terras foram divididas e deram origem ao loteamento Itaocaia Valley. O que restou da fazenda hoje é uma propriedade particular que ainda preserva a Casa Grande, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, o antigo engenho e as ruínas da senzala.

Em 1832, o naturalista Charles Darwin visitou a fazenda e registrou informações importantes em seu diário. Em homenagem a essa visita, a exposição "Caminhos de Darwin" foi inaugurada em junho de 2022 na Casa Grande, exibindo suas pesquisas, trechos de seu diário, fósseis, rochas e peças históricas.
ARTESANATO LOCAL:
Maricá é um polo de artesãos e artistas que trabalham nos quatro distritos do município. Enquanto a arte é uma expressão de sentimentos e não busca lucro, o artesanato é uma habilidade que pode ser ensinada, reproduzida e vendida.
A prefeitura de Maricá incentiva o trabalho desses profissionais promovendo feiras, como a da Praça do Turismo. Os artesãos da cidade se destacam por seu talento e variedade, passando suas técnicas de geração em geração. Entre os tipos de artesanato mais conhecidos estão o de palha de taboa, o indígena Guarani e a Tapeçaria do Espraiado.

Artesanato de taboa
A taboa é uma planta aquática muito comum em Maricá, presente em canais e lagoas, e tem um papel importante na despoluição da água. A artesã Dona Benedita Rosa do Amparo Barros transforma essa planta em peças únicas. O processo envolve cortar, secar, raspar e trançar a palha, resultando em belas criações.

Artesanato Guarani
Produzido pelos indígenas das aldeias Tekoa Ka'Aguy Hovy Porã e Tekoa Ara Hovy, esse artesanato é feito com materiais naturais como sementes, penas, madeira e fibras vegetais. Os produtos incluem cestos coloridos, colares, brincos, esculturas de animais, instrumentos musicais e outros objetos.






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